Escritores que mudaram o rumo da literatura – 7.
Vida e obra de Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 27 de junho de 1908. Desde cedo, demonstrou grande interesse por línguas, literatura e pelo universo sertanejo que mais tarde transformaria em matéria-prima de sua obra.
Formou-se em Medicina e exerceu a profissão em cidades do interior mineiro, experiência que lhe permitiu conhecer profundamente as paisagens, os costumes e a fala dos habitantes do sertão. Posteriormente, ingressou na carreira diplomática, atuando em países como Alemanha, Colômbia e França.
Na Alemanha em Hamburgo conhece sua segunda esposa : Aracy Moebius de Carvalho. Ela era funcionário do Itamaraty onde teve uma grande importância durante a Segunda Guerra. Na época ela foi responsável por ajudar vários judeus a fugir para o Brasil.
Sua estreia literária ocorreu em 1946, com Sagarana, livro de contos que renovou a literatura regionalista brasileira. Embora ambientadas no sertão, suas narrativas ultrapassam a simples descrição geográfica ou social. Em Guimarães Rosa, o sertão torna-se um espaço simbólico, onde se revelam conflitos humanos universais: o amor, a violência, a solidão, o medo, a morte e a busca por sentido.
A obra-prima do escritor é Grande Sertão: Veredas, publicada em 1956. Narrado por Riobaldo, um ex-jagunço, o romance apresenta suas memórias, dúvidas e inquietações, especialmente sobre a existência do diabo, o destino e a possibilidade de escolher livremente. Ao lado dele está Diadorim, personagem de identidade complexa e um dos grandes enigmas da literatura brasileira.
O livro impressiona não apenas pela história, mas também pela linguagem inventiva, marcada por neologismos, regionalismos, inversões sintáticas e recriações de palavras.
Entre suas outras obras importantes estão Corpo de Baile, posteriormente dividido em diferentes volumes, Primeiras Estórias e Tutameia. Seus contos frequentemente acompanham personagens simples envolvidos em acontecimentos extraordinários, revelando a grandeza escondida no cotidiano.
Ele foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963 e tomou posse em 1967, poucos dias antes de morrer, em 19 de novembro daquele ano de infarto.
Apesar de sua vida relativamente breve, Guimarães Rosa deixou uma marca decisiva na literatura brasileira.
Sua obra permanece atual porque transforma o sertão em metáfora da existência humana e demonstra que, por meio da linguagem, é possível reinventar o mundo.
Sua primeira esposa foi Lígia Cabral Pena com quem teve duas filhas: Vilma e Agnes.
Então esta foi a história de um grande escritor que com sua origem mineira declarava-se sertanejo, o que ele revelava de extrema importância para entender sua obra.
Espero que tenham gostado do texto de hoje.
Compartilhe com os amigos, se inscreva no blog e deixe o seu like.
Adriana Mellado
