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Escritores que mudaram o rumo da literatura: descubra seus legados – Parte 2

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Monteiro Lobato

Olá leitores.

No Escritores que mudaram o rumo da literatura falaremos sobre Monteiro Lobato.

Monteiro Lobato não foi apenas um escritor; foi um arquiteto de mundos, um engenheiro de palavras que, com a ponta de sua caneta, escavou as camadas mais profundas da alma brasileira.

Nascido José Bento Monteiro Lobato, em Taubaté, em 18/04/1882, ele herdou de seu avô uma vasta biblioteca onde começou o seu amor por livros.

Ele foi escritor, editor e ativista brasileiro. Formou-se em Direito em 1904, mas a toga nunca lhe vestiu por completo; ele queira mesmo reformar o país pela palavra. Foi promotor, fazendeiro e, sobretudo, um editor que enxergava no Brasil uma nação que precisava ser sacudida por uma literatura que falasse sua própria língua — não a língua de Portugal.

É considerado o pai da literatura infantil, famoso por criar o universo mágico do Sítio do Pica Pau Amarelo.

Lobato passou por outras metamorfoses. Sua obra-prima, o Sítio do Pica Pau Amarelo, não é apenas um refúgio infantil; é uma usina de significados.

Dona Benta, a avó que não apenas conta histórias, mas as reinventa, é a figura da sabedoria que não se enrijece.

Tia Nastácia, com suas receitas e seu repertório de mitos africanos, é a memória das cozinhas brasileiras, onde a cultura se misturava como o feijão e a farinha.

Emília, a boneca de pano que ganhou vida e o dom da insolência, é a voz da irreverência, do questionamento que desmonta as verdades absolutas.

Pedrinho e Narizinho são os agentes da aventura, os olhos que descobrem o mundo.

E o Visconde de Sabugosa, com sua ciência de sabugo e sua filosofia de milho, é a caricatura do intelectual que, por mais sábio que seja, nunca perde o pé na terra.

Mas Lobato não se contentou em povoar o imaginário infantil com fadas e duendes europeus.

Escreveu textos de crítica social que inspirou “Urupês (1918), personagem de Jeca Tatu.

Outras obras do escritor:

“Reinações de Narizinho”, “Caçadas de Pedrinho”, “A Barca de Gleyre”,  “O Marquês de Rabicó”, ‘Negrinha”, ‘A Onda Verde”, “O macaco que se fez homem”,  “O Saci” e muitas outras histórias.

Criou a Editora Monteiro Lobato e mais tarde a Companhia Editora Nacional. Fundou a Companhia Petróleo do Brasil onde dedicou-se por dez anos.

Casou-se com Maria Pureza da Natividade e teve quatro filhos (Marta, Edgar, Guilherme e Rute).

Sua vida foi marcada por contradições que, longe de diminuí-lo, o tornam mais humano. Defensor do progresso e da ciência, carregava também um ranço racista que mancha sua biografia e que precisa ser encarado de frente, não como desculpa para cancelá-lo, mas como convite a uma leitura crítica.

Publicou ao longo da vida textos para jornais polêmicos e com ideias eugenistas nos textos.

Criticava a ignorância e a miséria do caboclo que prejudicavam o desenvolvimento da agricultura na região.

Se envolveu na política com fortes criticas ao governo, se filiou a um partido para ser candidato, mas desistiu.

Lobato não foi um santo; foi um homem de seu tempo, com as luzes e as sombras de seu tempo. O que resta, no entanto, é a força de sua invenção.

Ele morreu em 1948 aos 66 anos, mas seu sítio continua de portas abertas, e cada novo leitor que entra por ali descobre que, no fundo, todos nós somos um pouco de pano, um pouco de sabugo e muito de terra vermelha. Afinal, como ele mesmo diria, “um país se faz com homens e livros”, e ele nos deu ambos em abundância.

A obra e vida de Monteiro Lobato está disponível na internet e tem muito mais do que falei aqui. Vale a pena conhecer. Com isso, só quis mostrar um pouquinho do homem que foi polêmico e através dos seus livros tentava dizer a verdade, mesmo que isso o prejudicasse.

Espero que tenham gostado do escritor de hoje.

Na semana que vem tem mais.

Quem será o escritor escolhido? Deixe o seu palpite.

Um forte abraço.

Adriana Mellado

Livros comentados de Monteiro Lobato aqui no blog.

Fábulas – Monteiro Lobato

O Presidente Negro – Monteiro Lobato

Reinações de Narizinho – Monteiro Lobato

Emília no país da gramática – Monteiro Lobato

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