No muro da nossa casa – Ana Kiffer
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Olá leitores tudo bem?
Baixei este livro na campanha Encha seu Kindle e não me arrependi.
No início não imaginava do que se tratava apenas pelo título e pela capa que gostei.
Seu preço para livro digital está excelente e para livro físico dentro da média de mercado.
O texto do livro retrata o diálogo entre uma mãe e sua filha no contexto do pós-ditadura, especificamente em 1968.
A história traz à tona as dificuldades que a mãe enfrentou, incluindo torturas e a ausência do pai, que era um político perseguido.
Ao longo da narrativa, a filha percebe as cicatrizes deixadas por esse passado traumático em suas vidas.
Há momentos de terror e de enfrentamento, e a história culmina em uma reconciliação entre mãe e filha, embora as marcas do passado permaneçam.
A escritora destaca a importância da obra para relembrar os horrores da era militar e a busca pela verdade.
A história não se limita a relatar horrores; ela é, na verdade, um testemunho visceral da força que nasce da dor.
A relação entre mãe e filha traz à tona uma dinâmica rica, onde o peso do luto e da perda se entrelaça com a busca por reconstrução e superação.
A escritora, ao pontuar com delicadeza os eventos que marcaram esse período, não só preserva a memória histórica, mas também cria um espaço seguro para você refletir sobre as cicatrizes que permanecem após um trauma profundo.
Este livro não é apenas um relato; é um chamado à consciência acerca das repercussões de regimes opressivos sobre a coletividade e a individualidade.
A beleza da escrita, aliada à profundidade dos sentimentos expressos, transforma a dor em um elo de empatia, fazendo com que cada página seja um convite à reflexão sobre nossas próprias histórias e sobre como lidamos com o passado.
Em suma, é um texto que se torna um manifesto sobre a resiliência humana e a importância de lembrar, não somente para honrar os que sofreram, mas também para construir um futuro onde a memória é a base de um caminho para a paz.
Assim, a escritora não apenas ilumina a escuridão de um período histórico, mas também equilibra tristeza e esperança, fazendo com que cada leitor saia da experiência imerso em reflexão e compaixão.
Quando vi os tanques desfilando em Niterói, quando de novo vi o exército comemorando com tanques na rua uma eleição presidencial democrática no Brasil, o meu corpo tremeu”.
E você já conhecia este livro? Deixe sua opinião do que achou.
Enfim, esta foi a minha dica de hoje sobre um livro marcante e forte que vale a pena conhecer.
Como não conhecia a escritora mostro uma pequena biografia após uma pesquisa na internet.
ANA KIFFER é escritora e professora de Literatura na PUC-Rio. Seu primeiro romance, “O canto dela” (2022), foi finalista do prêmio São Paulo de Literatura e semifinalista no prêmio Oceanos.
Publicou os livros de poesia “A punhalada” (2016), “Tiráspola e desaparecimentos” (2017) e “Todo mar” (2019).
Organizou e traduziu diversos textos de Antonin Artaud, como “A perda de si: cartas” (2017), “A nota fervorosa” (2022) e “Meus desenhos não são desenhos” (2023).
Na Bazar do Tempo é autora de “Ódios políticos e política do ódio” (2019), com Gabriel Giorgi, e coordenadora da coleção Édouard Glissant.
Ela tem muita história para contar não é mesmo?
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Até o próximo comentário.
Adriana Mellado
