Uma esperança mais forte que o mar: a jornada de Doaa Al Zamel – Melissa Fleming

O comentário de hoje é sobre um livro espetacular que conta como Doaa, nossa personagem, foge da Síria com seu noivo em plena guerra e acaba quatro dias no mar, sozinha.

Suas 213 páginas com a capa da nossa guerreira e preço muito bom para livro digital e físico, começa com Dooa vivendo com seus pais e irmãos numa Síria ainda longe da guerra. Doaa é uma criança no começo do livro.

Dentro das possibilidades de vida, viviam felizes e bem, com Doaa querendo fazer faculdade e se encontrando para lutar por algum ideal em sua vida e abominando casamentos arranjados.

Algumas manifestações iniciam num determinado momento onde Doaa quer participar para melhorar seus país e a vida das pessoas, mesmo se arriscando. Então, tudo começa a ruir quando o governo entra numa guerra que todos acompanhamos e que faz com que sua vida mude da água para o vinho.

Doaa nos relata como seus pais sobreviveram com seus irmãos onde havia a escassez de alimentos, trabalho, energia, água juntamente com a violência contra todos, inclusive mulheres e crianças.

No meio do caminho são ajudados algumas vezes por soldados que ainda tinham um coração bom, porém quando mudava o turno tudo começava com invasões em sua casa.

Seu pai perdeu seu único sustento que era a barbearia e a solução seria sair da cidade, procurar trabalho e moradia para proteger suas filhas ainda solteiras, afinal ele tinha medo que sequestrassem ou as violentassem em praça pública.

Fugiram para o Egito num lugar mais pobre que o anterior, porém ali achavam que teriam sossego. Até tiveram por algum tempo, mas mudanças no governo fizeram todos odiarem os sírios e suas “invasões” nas cidades. Mais uma onda de preconceito, fome, miséria, longe de paz.

Contudo, Doaa começa a ser cortejada por um certo rapaz que ela não gostava e ele lhe propõe casamento. Esse rapaz era sírio e também fugiu do país, mas conseguiu garantir um bom sustento no Egito.

Doaa a princípio não aceitou, preferiu continuar a trabalhar para trazer dinheiro para sua família, já com a saúde bem debilitada. Ela trabalhava em vários turnos, em trabalhos pesados, precários, porém não tinha jeito, todos dependiam dela.

Uma observação é que segundo Doaa, as pessoas aproveitavam que os sírios precisavam de trabalho para se sustentarem e ofereciam os piores trabalhos, pagando uma miséria, ou seja, trabalhavam várias horas por centavos.

Fora tudo isso ainda tinham que sofrer preconceitos com pessoas perseguindo, xingando e as ofertas de dinheiro do governo sendo excluídas por conta de tanta raiva desse povo sofrido.

As crianças nem tinham mais direito a escola pois pais diziam que seus filhos não podiam se misturarem com “aquela gente”.

Um absurdo de ler e imaginar, mas enfim, o mundo ainda é poluído de seres humanos muito podres.

Voltando a história, após muita insistência e certas situações acontecendo Doaa percebe que ama aquele que lhe propõem uma vida melhor na Europa.

Aceita o casamento, fica noiva e vive um pouco de felicidade.

Convencida pelo noivo e com a ajuda da família, decidem juntarem suas economias para uma viagem cara de navio e pagam contrabandistas para irem até a Suécia e começarem uma nova vida casados e assim futuramente levarem suas famílias. O casamento aconteceria lá mesmo longe de suas famílias.

Finalmente depois de dias esperando, prisões, problemas de saúde, embarcam num navio bem deteriorado com muitas pessoas. Essa parte da história é triste, angustiante, porém inspiradora para nos tornarmos melhores do que somos.

Já no mar com fome, sede, calor, frio, mas com a esperança de já estarem chegando, trocam de navio e ficam num barco velho e são assaltados por piratas e os mesmos arregaçam o barco e todos vão ao mar.

Dooa vê sua angustia quando seu noivo morre e outras pessoas aos poucos na sua frente vão afundando. Diante disso tudo, duas crianças são dadas a ela pelos responsáveis para que consigam chegar ao seu destino.

Doaa fica com elas por quatro dias e noites, numa boia no mar e já sem forças decide que vão morrer ali mesmo. Mas quis Deus que um cargueiro japonês as encontrassem e finalmente são resgatadas.  

Sofrimento, saudade, traumas e muitas mortes deixaram Doaa por dias doente, até que consegue se restabelecer já na Grécia por um casal que a acolheu e a  ajudou na recuperação.

As crianças? Uma morreu e a outra foi entregue ao seu tio para ter uma educação e vida após a morte trágica de seus pais.

Doaa a partir desse momento precisa se recuperar e seu desejo é sair da Grécia e ir à Suécia onde começaria sua nova vida com sua família.

A Grécia foi uma “mãe” para Doaa. Assim sua história se espalha pelo mundo e pelos meios de comunicação, chegando até Melissa, uma jornalista que se interessou por Doaa.

Não foi fácil. Melissa teve que conquistar a confiança de Doaa para que se abrisse e revelasse tudo que sabia e acontecia em seu país e sua viagem até a Grécia.

Doaa decidiu contar sua história para enfim ajudar outras pessoas.  

Após reconhecer e agradecer os prêmios que ganhou por ser uma heroína na Grécia, órgãos internacionais se mexeram para ajudar e recolher esse povo tão sofrido que precisa de uma oportunidade já que seu país está destruído e sem esperanças de melhorar algum dia.

Hoje Doaa vive com sua família na Suécia faz faculdade e tenta um dia de cada vez superar tudo que passou para sair de sua terra natal que um dia pensa em voltar, talvez só para respirar um pouco do ar e ir embora, já que tudo já era.

Um lindo relato de uma pessoa que soube passar por cima de tantas dificuldades, porém acreditar que ainda poderia viver e ser ajudada por pessoas que entenderam seus problemas e propuseram uma escolha para Doaa: ser feliz.

Vale a pena ler e se encantar por uma guerreira e pensar que agora tantos sírios ou outros povos de alguns países tentam escapar da opressão de governos impopulares e podem nesse momento morrerem sozinhos e sem esperança no mar.

Espero que tenham gostado.

Até o próximo comentário.

Quer ouvir o podcast?

Podcast Uma esperança mais forte que o mar

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